Vamos falar sobre fanservice?

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Eu queria evitar falar sobre isso. Na verdade eu queria evitar o assunto totalmente, mas naturalmente a internet não vai permitir. E ultimamente são tantos casos que a situação já está ridícula, então meio que desisto, porque claramente ainda veremos muito disso. Então vou bancar o advogado do diabo e defender algo que aparentemente é visto como o mal do século por parte da comunidade gamer. Ou pelo menos questionar o porque disso. Como não quero voltar a esse assunto novamente no futuro, o texto será grande.

Cuidado! O texto a seguir contem imagens perturbadoras que podem envolver calcinhas, peitos, bundas ou outras partes do corpo feminino. Assim como a implicação de sexo existe. Prossiga com cuidado!

Assustador, eu sei. Mas bom, vamos começar..

São vários os casos onde um conteúdo de um jogo foi alterado para adequar à sensibilidade ocidental. Digo isso porque esses conteúdos são geralmente de produtos japoneses. Só para citar alguns dos casos mais recentes, temos a edição de conteúdo em jogos como Fatal Frame V e Xenoblade Chronicles X, o rumor sobre uma alteração em um job de Bravely Second (e considerando o tratamento de Bravely Default, é provavelmente real), a modificação da câmera em Street Fighter V e, claro, a polêmica com Dead or Alive Xtreme 3. Assim como temos a certeza que jogos como Fire Emblem Fates vão receber algum tipo de edição. Agora não é mais questão de “se”, mas “o que”.

Veja Fatal Frame V. por exemplo, um jogo que a própria capa deixa claro que é para públicos maiores de 18. O jogo japonês possuía roupas DLC que não eram exatamente o que se espera de uma mulher que vai enfrentar fantasmas em uma montanha assombrada, uma das protagonistas sendo menor de idade.

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Nintendo nos fez o favor de corrigir isso na versão ocidental, substituindo tais roupas por fantasias de personagens da nintendo…porque isso faz muito mais sentido. Uma das roupas, porém, era parte da história da protagonista adolescente, relacionada a um trauma sofrido por ela. Pode ser estranho colocar algo assim como DLC por causa do que representa . Porém, o próprio flashback foi modificado na versão ocidental, exibindo sua roupa normal ao invés do biquini que ela deveria estar usando, fazendo com que a cena em si perdesse o sentido. É como se modificassem cenas de Lolita para não sexualizar uma adolescente, quando é exatamente esse o objetivo na história. Liberdade artistica não parece existir em vídeo-games, uma mídia que frequentemente tenta ser levada mais a sério. Mas Hotline Miami 2 já nos mostrou isso antes.

Mais estranho, porém, é a remoção da opção de customizar o tamanho dos seios da protagonista feminina em Xenoblade Chronicles X. Aparentemente o medo de ter algo visto como sexual é tão grande que as decisões da companhia não fazem sentido. Várias mulheres gamers comentam que gostam da opção porque é possível fazer uma personagem mais parecida com elas. A questão é ainda mais complicada, porque muitas feministas na verdade exigem que seios não sejam vistos como algo inerentemente sexual. Não são poucas as reclamações de quando uma foto com um mamilo feminino (ou algo que pareça um mamilo) são retiradas de comunidades virtuais por ser conteúdo impróprio. Aparentemente a Nintendo discorda delas. Peitos são inerentemente sexuais e a ideia de que eles possam ter tamanhos diferentes é ofensiva.

Mas esses são casos onde a empresa estava com tanto medo de ter seu produto visto como sexual que fez mudanças que não fazem muito sentido. Esse extremo não é o mais comum e quero falar sobre algo oposto. Eu quero defender que mesmo quando o conteúdo é intencionalmente erótico, isso não devia ser um problema. E também comentar sobre a hipocrisia que existe no meio disso.

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Um conteúdo só existe porque um público para ele existe. Proibir que a obra exista não vai ajudar muito. Ou seja, se considerarmos que todo lolicon é pedófilo, por exemplo, mesmo se conseguissemos proibir todo conteúdo lolicon de existir, seus fãs não deixariam de ser pedófilos (não estou dizendo que todo lolicon é pedófilo, é um exemplo, calma). É muito mais fácil combater o produto do que a sociedade, mas também menos eficiente. O produto é geralmente mais um reflexo do que uma influência, até porque coisas que você desgosta vão lhe repelir. Tudo tem lugar no mercado se há público, mesmo isso sendo difícil de aceitar.

Não que fanservice erótico seja o reflexo de uma sociedade sexista (apesar de estarmos em uma sociedade sexista). Se esse conteúdo nos mostra algo, é que achamos o corpo humano atraente. E se acreditarmos que achar alguém atraente equivale a achar aquela pessoa inferior, bom, aí nós temos um problema sério. Felizmente esse não é o caso, e podemos achar alguém sexy e respeitar essa pessoa ao mesmo tempo.

Argumento muito utilizado é que um foco no erotismo em personagens femininas desumaniza mulheres, fazendo com que sejam apenas objetos sexuais feitas para agradar homens.  Como já disse anteriormente, achamos o ser humano atraente. Homens (e algumas mulheres) naturalmente acham mulheres sexy e gostam de olhar para elas ou fantasiar com elas. Isso é um processo natural que não temos nenhum controle sobre e não deveriamos ter vergonha. Esse tipo de atitude pode, porém, se tornar um problema. Ser pervertidamente observada, receber “elogios” indesejados e ser tocada por homens desconhecidos é algo desconfortável para mulheres.

No entanto, com personagens ficticias, ninguém está sendo prejudicado. Esse tipo de argumento é antigo, aplicado inicialmente a jogos violentos: “Matar pessoas em um jogo não quer dizer que eu vá matar elas no mundo real. Eu tenho empatia e sei que seres humanos de verdade merecem viver. O jogo é só um escapismo.” Essa lógica é aceita pela comunidade de vídeo-games hoje em dia, mas se usarmos a mesma para conteúdos sexuais, a reação é menos favorável. E impulsos sexuais são mais fortes que impulsos violentos. Descarregar esses impulsos em fantasias fictícias é muito mais saudável do que em mulheres reais. Por isso acredito que mesmo obras que objetificam mulheres não deveriam ser proibidos. Afinal, devemos lembrar, pornografia sempre existiu com esse objetivo.

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Porém,  sexualizar personagens femininas não necessariamente as objetifica, assim como é possível objetificá-las sem sexualizar. Caso saiba inglês, eu recomendaria ler os seguintes textos, que tratam desse assunto: aqui e  aqui. Ambos são linkados no tumblr da empregada da XSeed Hatsuu, uma fã assumida da série Senran Kagura. Se acha que ela só está fazendo o trabalho de promover o jogo e não exatamente gosta da série, não acho que seja esse o caso.
Eu vou tratar do mesmo assunto aqui, embora de forma resumida.

Também vou usar Senran Kagura como exemplo. Afinal, é diíicil achar algo mais sexualizado do que os jogos com ninjas peitudas se estivermos falando de vídeo-games. Porém, é muito fácil achar algo mais ofensivo. Para quem ainda não conhece o jogo, ele trata de garotas ninjas que lutam e tem suas roupas destruídas no meio da batalha com peitos grandes que se comportam como se fossem gelatina. A maioria dos criticos que se deu ao trabalho de escrever sobre o jogo parou sua análise nesse ponto e encheu o resto do texto com argumentos sobre porque o jogo era a coisa mais ofensiva e imatura que já jogou e piadas idiotas sobre “plot” (sério, parem com esse meme…por favor). O que ignoraram totalmente é que o jogo possue, na verdade, um roteiro…e personagens com personalidades bem desenvolvidas…assim como desenvolvimento dessas personagens. Além de um gameplay divertido, mas isso é relativo.

Agora, antes de qualquer coisa, o plot de Senran Kagura não é tão incrível como alguns fãs fazem parecer. Acredito que como não esperavam nenhuma história, ficaram impressionados de verem um roteiro que na verdade foi bem trabalhado. Porém, é uma história clichê sobre amizade e conflitos pessoas. Não é nada muito melhor do que seu shounen padrão, mas também não é pior. De fato, fiquei impressionado como boa parte das conversas do jogo não eram sobre peitos ou comer bolo como esperei (ei, eu vejo bastante animes), mas sobre conflitos entre ninjas. Se fosse resumir o tema da série, creio que seria algo tipo: “garotas que constroem relacionamentos com outras garotas atraves de lutas”. Ou seja, não diferente de como muitos shounens funcionam, mas com garotas.

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Construindo relacionamentos…

Apesar da história não ser nada impressionante, é quando tratamos das personagens que o jogo mostra sua força. Nossas ninjas (ou shinobis, como são chamadas no jogo) tem as mais variadas personalidades que vão além do estereótipo que estão tentando representar. Temos a garota rica que foi adotada de uma família pobre e se sente mal por ter tirado a posição de seu irmão dentro da família. Uma garota pobre que detesta pessoas ricas por achar que dinheiro devia ser usado para ajudar os pobres e ajuda as crianças de seu lar anterior com o pouco dinheiro que consegue em trabalhos de shinobi. A shinobi pervertida que adora agarrar os peitos de outras garotas e possue um passado trágico onde seus pais são considerados traidores, então deseja criar um nome como shinobi para poder salvar a reputação de sua família. A “femme-fatale” sádica que age como uma amável irmã mais velha para suas companheiras e era tratada como uma boneca por sua mãe tentando escapar das traições do maridono passado. A garota bonitinha e boba que geralmente é o que chamamos de “moeblob”, mas que possue reais problemas de auto-estima. São garotas com personalidade, passado, conflitos e evolução ao decorrer do jogo. É difícil falar de cada uma delas em uma só linha, e isso é mais do que podemos dizer sobre muitos jogos. Vale lembrar ainda que Senran Kagura é escrita pelo mesmo escritor responsável pelo roteiro de Ace Attorney Dual Destinies e o DLC de Fire Emblem Fates. Se o jogo é nada mais que peitos, por que a preocupação em contratar um bom roteirista?

As shinobis são respeitadas dentro do universo do jogo. Enquanto a maioria delas são garotas, há alguns personagens masculinos. O professor delas age como uma figura paterna, tratando-as como shinobis capazes e incentivando seu crescimento. Mesmo o velho pervertido que tenta espiar as personagens no banho e morre de medo de sua esposa afirma que aquelas são as garotas que vão superá-lo no futuro.

A maioria dos jogos no estilo, assim como alguns animes, são cenários onde nunca veremos frases tão presentes em outras obras como: “mas você é uma garota!”, “você é forte para uma garota”, “você é uma garota, não devia fazer isso”. Para pessoas que conseguem conviver com o fanservice, é um cenário seguro para escapar dessas situações tão presentes tanto em ficção quanto no mundo real. Gostaria de lembrar inclusive que um dos únicos jogos de luta onde personagens femininas tem chances de vencer o torneio é Dead or Alive.

Há várias obras nesse estilo, em jogos como Senran Kagura, Neptunia, Atelier, ou animes como Strike Witches e Saki. Certo, talvez tenha notado um padrão nas obras citadas. Mas considere meu outro texto nesse blog, também!

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Há mais a se falar sobre essas obras “otaku” e a representação de suas personagens nelas. Mas acho que já desviei demais do assunto principal. O que eu queria fazer é deixar claro que esses jogos tem muito mais do que fanservice e isso nos leva a uma situação curiosa. Seus criticos estão criticando personagens baseadas em sua aparência. Eles assumem que porque estão usando roupas sexy ou possuem peitos grandes, sua personalidade é irrelevante. E isso é muito mais desumanizador e ofensivo do que as obras em si.

Outro erro é tentar afirmar o motivo de uma pessoa gostar desse conteúdo. Jogos como Senran Kagura podem atrair pessoas por diversos motivos diferentes. Há aqueles que só consideram seu conteúdo sexual. Há aqueles que gostam do gameplay. Há aqueles que gostam das personagens, ou os que gostam de um pouco de cada elemento. Há uma grande comunidade de fãs de yuri que gostam do jogo, por exemplo, pelos seus altos níveis de subtexto entre as garotas (e algumas vezes texto). O que, sim, foi o principal motivo de eu começar com a série. Portanto, eu desgosto da opção de tocar as garotas pela touch screen do Vita ou 3DS, algo que felizmente é totalmente opcional.Porém, não defendo que isso deveria ser tirado do jogo porque não me agrada.

Temos a parte mais hipócrita dessa situação toda, porém. O contraste de como conteúdo sexual e violento é visto entre a comunidade gamer. Vamos relembrar a E3 desse ano. Doom foi anunciado. Gamers comemoraram no mundo todo…assim como pessoas ficaram perturbadas com o nível de violência demonstrado no jogo. Isso resultou em diversos criticos defendendo, afirmando que violência é importante para Doom. Certo, eu concordo. Realmente, quando penso em Doom, eu penso em violência antes mesmo de pensar em shooters. Porém, outra afirmação é tão verdade quanto: Eroticismo é importante para Dead or Alive. Quantos criticos famosos você acha que teriam coragem de defender isso? Não há violência sexual em Dead or Alive. Há calcinhas, bundas, peitos, mulheres de biquini. Mesmo se ignorassemos que é somente um jogo, ainda não haveria ninguém sendo extremamente prejudicado. Então porque Doom é visto como algo mais aceitável?

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Objetificação é transformar uma pessoa em apenas um objeto sem ação. Sexualização pode ser objetificação, mas na maioria das vezes não é o caso. Como demonstrado, personagens em jogos como Senran Kagura tem personalidade a são ativas demais para serem objetos. Porém, personagens de jogos hentais como Artificial Girls que existem somente para agradar ao jogador e não são personagens em si, são objetificadas. Fora de jogos hentai é muito mais fácil achar tais personagens em jogos aclamados ocidentais do que em jogos nicho japoneses. Mulheres que Kratos faz sexo para recuperar energia, por exemplo. Ou praticamente toda personagem feminina em GTA. Quase todo WRPG te dará uma opção de fazer sexo com alguma personagem que não terá nenhuma utilidade no jogo fora isso.

Também é possível objetificar alguém sem sexualizá-la. Peach nos primeiros jogos do Mario é um exemplo disso. Ela só existia como um troféu para ser salva e não tinha ação nenhuma. Mas definitivamente não era sexualizada. Lembrando o que sexismo significa, a implicação de que um sexo é inferior ao outro. Esses jogos aclamados são muito mais perto de ser sexista do que a maioria dos jogos com foco em fanservice atacados pela comunidade gamer. Não significa que eles não deviam existir, mas é hipócrita que eles recebam carta branca nessa situação toda.

A situação é a seguinte: “Você está jogando esse jogo mostrando mulheres de biquini na tela? Cara, como você é doente, para com isso!”
“Oh, você fez sexo com aquela mulher e depois matou ela! Nossa, cara, como você é foda!”

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Claro, alguns criticos criticam até mesmo esse conteúdo, como a polêmica Anita Sarkeesian , por exemplo. Mas essas criticas são ignoradas pelo público em geral, mesmo aqueles que geralmente defendem esses criticos. Feministas não são o problema nessa história como gostam de afirmar. Todos conseguem ignorar elas quando lhes convem.

A verdade é que temos vergonha de sexo. Com o que sentimos mais medo de que alguém nos veja jogando? Uma cena onde estamos matando centenas de pessoas na tv ou a imagem de uma garota de biquini? A nossa cultura vangloria violência, afinal, mas a origem cristão de nossa sociedade nos fez acreditar que sexo é algo vergonhoso que devemos manter escondido.

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Mas claro, isso não se aplica a todo mundo. Pessoalmente conheci vários grupos de pessoas que tinham orgulho de só pensar em sexo 24 horas por dia e ver e discutir pornografia o tempo todo. Essas pessoas não tinham interesse em conteúdos citados aqui por motivos diferentes. Basicamente: “por que você jogaria como uma garotinha?”. Muitos são contra esse tipo de jogo não porque sexualiza mulheres, mas porque é sobre mulheres. Novamente, cada um percebe algo de forma diferente.

A polêmica recente com Lucky Chloe em Tekken foi um exemplo. Ninguém estava querendo banir a personagem porque era sexualizada ou ofensiva…mas porque era uma garota bonitinha. Aparentemente ela não era realista no cenário do jogo. Porque claro, uma garota é muito menos realista que um canguru boxeador e uma árvore viva.

Os dois argumentos se sobrepõem: aquele de que ter garotas sexualizadas é ruim, e aquele de que ter garotas em geral é ruim. Curiosamente, pessoas querendo melhor representação feminina em jogos trabalham ao lado de pessoas que não querem representação feminina alguma em jogos, sem perceber. E bom trabalho para ambos, muitos desenvolvedores hoje tem medo de desenvolver qualquer personagem feminina, porque sempre são criticados de uma forma ou outra.

Fanservice não é algo ruim. É uma boa maneira de incrementar algo. Fanservice por fanservice é um tédio, mas como complemento pode ser interessante. Mesmo em filmes sempre queremos ver pessoas atraentes, afinal. Atores e atrizes bonitos são muito mais populares. Não há nada de errado em apreciar a beleza.

Não acredito que deve haver menos fanservice, mas acredito que deveriamos ter mais igualdade. Isso significa, mais fanservice para o público feminino. Isso já acontece muito no Japão, mas no ocidente sexualidade feminina ainda é um tabu e obras almejando elas acontecem bem menos. Ainda mais considerando que a maioria dos artistas são homens, e muitos homens não gostam de admitir que mulheres também tem desejos sexuais.

Mais conteúdo erótico para mulheres não acabaria com a reclamação de fanservice feminino, porém. Seja por questões culturais, ou porque eles são completamente ignorados pela mídia em geral. Um exemplo é Akiba’s Trip 2, que também é visto como um jogos otaku sexista, apesar de também sexualizar homens em sua versão ocidental. Então, sim , isso não acabaria com as reclamações, mas eu ainda gostaria de ver mais acontecendo. Igualdade e variedade é bom, e o público alvo existe.

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E sim, mais representação em geral em jogos seria bom. Precisamos sim de mais protagonistas femininas e mais variedades em personagens em geral, apesar de ter um grupo que é contra isso. É triste como essa situação criou um conflito parecido com a briga entre esquerda e direita em discussões politicas. Um lado precisa negar completamente o outro para ter sua razão. Exceto que os dois lados estão errados, e os dois lados estão corretos. Há argumentos válidos em ambos, mas são ignorados porque todo mundo olha a situação como algo preto e branco, quando na verdade é cinza. É como uma guerra, você ataca totalmente o inimigo, ignorando se ele faz sentido.

Mas precisamos sim de mais representação não sexualizada de personagens femininas, assim como precisamos de mais personagens masculino sexualizados. Não precisamos eliminar um para adicionar outro. Jogos como Life is Strange provam que há público para isso, então não há porque não contentá-lo. Porém, o público para Senran Kagura e Dead or Alive também existe. E muitas vezes ambos se sobrepõem.

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Não que alguém seja obrigado a incluir algo que não queira em sua obra para satisfazer outros. Mas há casos onde a industria força mudanças achando que algo não vai ser bem recebido. Como forçando desenvolvedores a mudar uma protagonista feminina para um protagonista masculino, ou forçando a colocarem mais roupas em uma personagem em sua localização. Os dois casos não são tão diferentes! Se deixassemos criadores fazer o que quiserem, talvez todo mundo ficaria mais feliz.

Bom, eu acho que escrevi bastante, mas queria comentar sobre o caso de Dead or Alive, que é o mais falado ultimamente. Acho difícil de acreditar que o motivo de não trazer o jogo realmente seja a reação do ocidente, isso porque Dead or Alive em si já é sexualizado o bastante. Xtreme Beach é tedioso, porém, sendo um caso de fanservice por fanservice. Provavelmente não venderia muito por aqui. Porém, se resolverem localizar agora, vão vender muito mais para pessoas que nem estariam interessadas inicialmente, mas vão comprar para “irritar feministas e SJW”. Por outro lado, a reação de tais “SJW”, como criticar a loja de importação Play-Asia por promover o jogo se mostrou também bem imatura.

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Gostaria de me desculpar se alguém se sentiu ofendido com algo escrito nesse texto, mas também lembrar que vamos nos sentir ofendido o tempo todo enquanto vivermos em sociedade por vários motivos diferentes e devemos nos acostumar com isso ao invés de tentarmos banir tudo que nos deixa desconfortável da existência. Também pensei em colocar um alerta sobre imagens violentas aparecendo no texto, mas ei, é só violência. Não é algo aterrorizante como peitos e bundas.

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4 thoughts on “Vamos falar sobre fanservice?

  1. Eu concordo com o texto no geral. Acho também que mudanças de conteúdo sensual acontecem muito mais por uma questão cultural – algo que envolve um certo puritanismo e medo de afastar consumidores mais mainstream – do que por questões de crítica. Empresas não são instituições de ética: se algo vende, vão vender.
    Mas discordo quanto ao caso do Play Asia ser boicotar por promover o jogo (não que alguns não se sintam assim). É difícil de confiar numa empresa que da noite pro dia começa a usar chanspeak e que dá RTs em consumidores reclamando, como o Xythar do Commie, encorajando a atacarem eles.
    btw, bom texto. Não diria que é uma “trend” porque muitas empresas aí, tipo a Nintendo, alteram conteúdo desde sempre, mas espero que um dia eles parem com isso e se foquem em criar mais coisas interessantes para públicos de ambos os gêneros (e obviamente títulos que apelem para ambos no geral).

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    • Bom, eu não pesquiso muito sobre Play Asia, mas eles parece meio babacas e pouco profissionais mesmo. A questão é que vi post de pessoas dizendo que eles estão vendendo o jogo somente para irritar feministas, ou algo do tipo. O que é idiota. Eles estão vendendo o jogo porque é o que sempre fizeram, vender produtos japoneses. Se aproveitaram da polêmica para faturar mais…capitalismo.
      Também é curioso ver o tanto de gente respondendo: “nunca comprei de vocês, mas agora não compro mesmo”. Pessoas que ficaram irritadas por isso não são os clientes da empresa, e eles sabem disso. Por isso não se importaram. Era mais um caso onde podiam simplesmente ignorar ao invés de forçar alguma resposta sarcástica ou agressiva só para piorar a situação.

      E sempre houve edição, mas agora com a internet ficamos sabendo mais. O problema é que agora tem gamers exigindo que essas coisas aconteçam, quando deveria ser o contrário. Também lembro como conteúdos homossexuais eram banidos de obras japonesas no ocidente, por exemplo. Hoje se uma empresa fizer isso, se dá mal.

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      • Eu não diria que quem reclama é quem não compra. Eu não pretendo mais comprar deles e sei de mais gente que comprava e não, além de perderem apoios de devs e tal. O cara da Platinum lá tava falando mal. Mas é, essa é a parte menor do texto, nem vou prolongar muito, só achei eles bem não profissionais.

        E, sim, é pela internet mesmo. Sò fico preocupado de começarem a ignorar críticas pelo tom da galera. Mandei email reclamando das mudanças do Xeno X pra Nintendo, de maneira cordial e tal, mas aí quando vou ver o outro pessoal que mandou é complicado…

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    • não entendi usar o “chanspeak” ? me parece um comentario de um pensamento de que quem usa memes do 4chan é automaticamente simpatizante do /pol/ ou algo assim.
      e sobre os comentarios, ele só retweetou um comentário com uma imagem sendo ironica com as reclamações, eles decidiram tomar a liberdade em tweetar pra um twiiter publico (e vestir ou se identificar a alcunha de SJW, por algum motivo, sendo que o conceito da palavra cabe apenas a certas posturas) que é aberto, e todos conseguem facilmente ver as respostas, seja clicando no tweet em questão ou procurando pelas mentions que tal twiiter recebe, coisa de alguns cliques no tweedeck, se estavam preocupado com a exposição que receberiam, colocar o retweet manual como toda a fonte do problema é um tanto ironico e desonesto não acha ? ainda mais quando a resposta no retweet em si é a evidencia de que não precisaram do retweet pra isso.
      Agora se foram profissionais ou não, é algo debativel por outros fatores, mas eu ja vi twiiters de outras empresas agirem de forma mais pessoal, como o da ASW.

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